A algumas semanas atrás conheci um primo numa festa de família. Uma gracinha ele, super divertido e comunicativo. Talvez com seus vinte, vinte e dois anos de idade...
No terceiro dia de festa falávamos sobre matérias da escola que existiam na minha época mas não mais na dele, ele sempre comparava as coisas que eu dizia com as histórias que a mãe dele contava. Depois de algum tempo aquilo passou a me incomodar:
- Quantos anos a sua mãe tem?
Seis anos... a mãe dele é apenas seis anos mais velha que eu. Tenho algumas amigas da idade dela, pessoas que saem comigo e ficam até de madrugada embaixo do prédio conversando e rindo num frio do capeta.
- Quantos anos você tem?
Onze anos. Onze anos mais novo que eu. Me apontou a mãe sentada em uma mesa perto de onde conversávamos. Bonita, jovem, bem humorada ela dava risada de algo no momento em que a fotografei com os olhos. Seis anos... o que foi que ela fez com a vida dela? O que foi que eu fiz com a minha?
Se eu quiser ter um filho no fim da adolescência não posso. Se ela quiser não ter, também não pode. Eu não posso escolher ser bailarina profissional ou jogadora de futebol. Ela não pode escolher viajar o mundo antes dos 30. Eu não posso escolher casar aos 20. Podíamos. Mas não podemos.
Faz cinco anos que fui visitar uma amiga em Vila Velha, Espírito Santo. Eu não estava bem e esperava que ela pudesse me dar ao menos parte do alento que me fornecia quando morávamos juntas nos EUA. No voo conheci Kelly e Ivone. Kelly, na janela, decidiu parar de ver sua vida passar através dela e, aos trinta e seis, finalmente protagonizar seus dias. Ivone, no corredor, contava histórias de como conhece cada cantinho dele aos cinquenta. Eu, no meio, pensava nas minhas janelas e corredores, hoje penso que tanto ficou pra trás e no tanto que ainda há por vir...
Aos vinte e nove tenho orgulho de dizer: Vinte E Nove. Tenho orgulho dos meus feitos e dos meus sonhos, do lugar onde estou. Aos vinte e nove penso que se vivo assim, é porque escolhi assim, não por qualquer outro motivo. Penso que se não sou casada, se não tenho filhos, é porque quando surgiu a oportunidade não achei que fosse o momento. Continuo não achando. Se não tenho um emprego fixo é porque escolhi uma profissão instável e posso dizer: AMO o que faço. Se moro na casa da minha mãe, se meu celular é um lixo e se não tenho um tablet, é porque viajo tanto (e ela também), que acho muito mais jogo não perder oportunidades do que pagar aluguel pra curtir tão pouco minha privacidade. Às vezes mudo de ideia, e mudar de ideia também faz parte. Mas por enquanto quando lembro do tanto de lugar que ainda não conheço, passa! Não, não sou adolescente. sou alguém que fez escolhas diferentes da maioria e que não se arrepende de nada que já me tenha feito sorrir!
Semana que vem estou indo fazer mochilão no leste europeu com meus três irmãos porque escolhemos assim.
No terceiro dia de festa falávamos sobre matérias da escola que existiam na minha época mas não mais na dele, ele sempre comparava as coisas que eu dizia com as histórias que a mãe dele contava. Depois de algum tempo aquilo passou a me incomodar:
- Quantos anos a sua mãe tem?
Seis anos... a mãe dele é apenas seis anos mais velha que eu. Tenho algumas amigas da idade dela, pessoas que saem comigo e ficam até de madrugada embaixo do prédio conversando e rindo num frio do capeta.
- Quantos anos você tem?
Onze anos. Onze anos mais novo que eu. Me apontou a mãe sentada em uma mesa perto de onde conversávamos. Bonita, jovem, bem humorada ela dava risada de algo no momento em que a fotografei com os olhos. Seis anos... o que foi que ela fez com a vida dela? O que foi que eu fiz com a minha?
Se eu quiser ter um filho no fim da adolescência não posso. Se ela quiser não ter, também não pode. Eu não posso escolher ser bailarina profissional ou jogadora de futebol. Ela não pode escolher viajar o mundo antes dos 30. Eu não posso escolher casar aos 20. Podíamos. Mas não podemos.
Faz cinco anos que fui visitar uma amiga em Vila Velha, Espírito Santo. Eu não estava bem e esperava que ela pudesse me dar ao menos parte do alento que me fornecia quando morávamos juntas nos EUA. No voo conheci Kelly e Ivone. Kelly, na janela, decidiu parar de ver sua vida passar através dela e, aos trinta e seis, finalmente protagonizar seus dias. Ivone, no corredor, contava histórias de como conhece cada cantinho dele aos cinquenta. Eu, no meio, pensava nas minhas janelas e corredores, hoje penso que tanto ficou pra trás e no tanto que ainda há por vir...
Aos vinte e nove tenho orgulho de dizer: Vinte E Nove. Tenho orgulho dos meus feitos e dos meus sonhos, do lugar onde estou. Aos vinte e nove penso que se vivo assim, é porque escolhi assim, não por qualquer outro motivo. Penso que se não sou casada, se não tenho filhos, é porque quando surgiu a oportunidade não achei que fosse o momento. Continuo não achando. Se não tenho um emprego fixo é porque escolhi uma profissão instável e posso dizer: AMO o que faço. Se moro na casa da minha mãe, se meu celular é um lixo e se não tenho um tablet, é porque viajo tanto (e ela também), que acho muito mais jogo não perder oportunidades do que pagar aluguel pra curtir tão pouco minha privacidade. Às vezes mudo de ideia, e mudar de ideia também faz parte. Mas por enquanto quando lembro do tanto de lugar que ainda não conheço, passa! Não, não sou adolescente. sou alguém que fez escolhas diferentes da maioria e que não se arrepende de nada que já me tenha feito sorrir! Semana que vem estou indo fazer mochilão no leste europeu com meus três irmãos porque escolhemos assim.
"Aos 29 com o retorno de Saturno decidi começar a viver!"